Sou o azul de uma manhã triste,
A névoa calma de uma aguarela,
Sou o sabor que não existe
No ardor do cravo e da canela.
Sou um baloiço vazio
Que já não embala a infância,
Sou a última lágrima que caiu
Num rosto de uma criança.
Fui a ninfa de uma ilusão
Que desmaiou na eternidade
De uma mentira, e duma razão
Num falso poço de felicidade.
Escondeu-se, afogou-se a hipocrisia
De uma ampla imaturidade
Que me esqueceu um dia....
Sou a luminosa e fugaz fogueira
Que com pedras se incendeia
Sou o fogo onde cai a asneira,
Numa chama amargurada e feia.
Sou o gume de uma facada
Que em mim foi projectada,
Um golpe censurado,
Por mim não esperado....
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