3/27/2005

Menta - Jasmim

Se não te soubesse, procurar-te-ia
meu amigo.
Nas arábias, em que a goma agarra
mais do que consente,
e a tristeza constrói-se em concordância,
olhámos o chá que o outro bebia.
Os kebabs dos porcos semitas
faziam-se do teu sangue e da minha indiferença.
Mas o teu era de menta, porque estavas,
ainda,
vivo.
Eu bebia de jasmim, para me adormecer
na dor que minava o coração do teu povo.
Não me tinhas rancor e admirava-te por isso.
Sempre foste um bom amigo.

Damasco era o eco do teu silêncio.
E os alperces doces, e as tâmaras dolcíssimas.
E o alaúde que gemia perdão, e a tua concubina
que dançava enquanto sorria para mim.
Eras um califa da boa vontade.

Bebi do vosso chá,
e fumei a vossa alma.
E a mim, me chamaste de amigo.
E eu fiquei com a voz inundada
de areia e permiti que te levassem.

Chamaste-me de amigo e ficaste com a minha honra.
Trata bem dela.

Olho no chá a tua tristeza.
De um trago, absolvição.
Hoje te ressurjo, filho de deus,
Amigo dos homens.


Diogo

Sem comentários: